10/10/2017

CAUSA DE CONFUSÃO MENTAL NO IDOSO



Principal causa da confusão mental no idoso
Por Arnaldo Lichtenstein, médico

Sempre que dou aula de clínica médica a estudantes do quarto ano de Medicina, lanço a pergunta
Quais as causas que fazem o avô ou avó terem confusão mental?

Alguns arriscam:
"Tumor na cabeça". Eu digo: "Não".
"Doença de Alzheimer"Respondo, novamente: "Não".

A cada negativa a turma espanta-se... E fica ainda mais boquiaberta quando enumero os três responsáveis mais comuns:

. diabetes descontrolado;
. infecção urinária;
. a família passou um dia inteiro nas compras, enquanto os idosos ficaram em casa.

Parece brincadeira, mas não é. Constantemente o avô e a avó, sem sentir sede, deixam de beber líquidos. Quando não há gente em casa para lembrá-los, desidratam-se com rapidez.

A desidratação tende a ser grave e afeta todo o organismo. Pode causar:

- confusão mental abrupta
- queda de pressão arterial
- aumento dos batimentos cardíacos (taquicardia), (angina de peito)
- coma e até morte.

Insisto: não é brincadeira.
Na melhor idade, que começa aos 60 anos, temos pouco mais de 50% de água no corpo. Isso faz parte do processo natural de envelhecimento.
Portanto, os idosos têm menor reserva hídrica.

Mas há outro factor:
mesmo desidratados, eles não sentem vontade de beber água, pois os seus mecanismos de equilíbrio interno não funcionam muito bem.

Conclusão:

Os idosos desidratam-se, facilmente, não apenas porque possuem reserva hídrica menor, mas também porque percebem menos a falta de água no seu corpo. Mesmo que o idoso seja saudável, fica prejudicado o desempenho das reações químicas e funções de todo o seu organismo.

Por isso, aqui vão dois alertas:

  1) O primeiro é para os avós: tornem voluntário o hábito de beber líquidos. Por líquido entenda-se água, sumos, chás, leite, sopa, gelatina e frutas ricas em água, como melão, melancia, ananás, laranja e tangerina, também funcionam. O importante é que, a cada duas horas, beber algum líquido. Lembrem-se disso!
  2) Meu segundo alerta é para os familiares: ofereçam, com frequência, líquidos aos idosos. Ao mesmo tempo, fiquem atentos. Ao perceberem que rejeitam os líquidos e, de um dia para o outro, ficam confusos, irritadiços, aéreos, falta de atenção. É quase certo que sejam sintomas decorrentes de desidratação.

Atitude a ter: "
«Dar-lhes líquidos e ir, rapidamente, a um serviço médico».------------------

(*) Arnaldo Lichtenstein (46), médico, é clínico-geral do Hospital das Clínicas e professor colaborador do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

11/09/2017

OS DOIS OLHOS SÃO AMIGOS SEM SE VEREM






Os dois olhos simbolizam que a amizade pode existir longe da vista

Além da óptica, do sistema nervoso e muscular que contribuem para o seu funcionamento, os dois olhos mostram a amizade existir sem contacto directo. Cada olho não tem possibilidade de encarar o outro, mas os dois são íntimos amigos, interagindo e convergindo na sua actividade, em benefício da pessoa a que pertencem. Sempre colaborantes na focagem ao perto e ao longe, no fechar e abrir, no lacrimejar, no sorriso, etc.

Seguindo o exemplo dos olhos, o ser humano deve respeitar o e ser colaborante com os seus amigos mesmo estando distante, porque os actuais meios de comunicação facilita a troca de afectos, de opiniões de conselhos e de dicas sobre a forma de encarar diversas situações que necessitam de resolução. Essa facilidade de comunicação deve ser aproveitada para manter acesa a estufa dos afectos. Como os olhos, os amigos não devem esquecer o que não está visível nem contactável fisicamente. Devemos pôr de lado o velho ditado «longe da vista longe do coração».

29/08/2017

NINGUÉM ESCREVE AO CAPITÃO

Ninguém escreve ao capitão
(Publicado no semanário O JORNAL em 29 de Agosto de 2017)

Em geral, quando as pessoas pretendem que lhes façam um favor, mesmo simplesmente na forma de opinião ou de conselho, não deixam de contactar quem os pode ajudar. Mas poucos se decidem a oferecer uma palavra de afecto, de carinho, de esperança e de incentivo para que esse alguém suporte com melhor ânimo as dificuldades da idade.

A frase do título é o resquício da memória de um livro brasileiro, já de há muitos anos, que deixou a ideia de que as pessoas menos gratas e solidárias se encarregam de «passar à reforma» aqueles que deixam de lhes ser úteis. O tema também foi desenvolvido pelo escritor Virgílio Ferreira em «Manhã Submersa» quando o personagem principal, estando num lar de idosos, se lamentava de a filha não o visitar. Num lar com cerca de 100 idosos, apenas menos de uma dezena recebem visitas semanais de familiares e/ou amigos.

Não gosto de referir casos concretos, mas eles ajudam a compreender o que se passa na sociedade, por estimularem a reflexão e a curiosidade sobre o que se passa à volta. Continuo a receber, e-mails mas a quase totalidade é constituída por reenvios (FM) de remetentes que se prestam a servir de carteiros, arremessando para as caixas de entrada dos «amigos» das suas listas de endereços tudo aquilo que recebem. Estou convencido de que muitos reencaminham coisas que não viram nem leram. É impossível que um remetente de álbuns de imagens de várias partes do planeta arranje tempo para ver todas as imagens que reencaminha. Essas imagens pouco interessam a um idoso sem condições de viajar pelo mundo e que está mais interessado em analisar os comportamentos sociais da humanidade e as atitudes de governantes que agem em função de pressões de grandes empresários que actuam por interesse próprio, sem escrúpulos nem respeito pelos outros que serão atingidos pelos efeitos de jogos financeiros.

Há um outro, já na terceira idade, que envia quantidade de vídeos pornográficos que apenas podiam fazer sofrer um idoso qua já passou a fase de sentir tais prazeres e teria o desgosto de nunca ter tido oportunidade para tanta luxúria.

Mas nem tudo é mau. Há quem comungue as intenções de procurar melhorar a humanidade, pela recuperação de valores éticos e cívicos, enviando mensagens muito estimulantes. Uma amiga de Minas Gerais, bisavó, constitui um modelo de solidariedade e de amor ao próximo, com mensagens maravilhosas. Outra, do Cacém, envia mensagens a perguntar pelo estado de saúde do destinatário e a informar da evolução da sua, por vezes com pormenores da fraca qualidade do apoio que recebe que confirmam a ideia com que se fica através de notícias frequentes. Casos como este prestam-se a sermos úteis com conselhos e sugestões que alimentem a esperança e a aceitação serena do inevitável. É positivo podermos colaborar na esperança e na eliminação do stress.

A felicidade das pessoas depende mais do bom relacionamento e das amizades do que do saldo da conta bancária ou do património material e será bom que as pessoas se sintam compreendidas e apoiadas. Um verdadeiro amigo é como o sol: mesmo que as nuvens não permitam vê-lo, sabemos que ele está lá.

Qualquer idoso tem muita necessidade de afecto, coisa que hoje não é muito fácil obter em qualquer situação real. A humanidade precisa de recuperar valores cívicos para que as pessoas sintam amizade e felicidade, em vez de desprezo. Uma pessoa precisa de sentir que tem utilidade para si e para os outros, para evitar a tentação da autodestruição psíquica ou mesmo física.

António João Soares
22 de Agosto de 2017

23/08/2017

MULTIPLICAR A FELICIDADE, DIVIDINDO-A

Transcrição de notícia

"O cuidar do outro devia ser mais reconhecido na sociedade"
23 DE AGOSTO DE 201700:39. Joana Capucho



Ângelo Valente é animador sociocultural no Centro comunitário da Gafanha do Carmo MARIA JOÃO GALA / GLOBAL IMAGENS

O animador sociocultural Ângelo Valente diz que os portugueses estão a começar a gostar mais de si próprios, mas o país ainda tem um longo caminho a percorrer. "Gostava muito de ver as melhores pessoas do país nos cargos de decisão. A política é uma carreira tão agressiva que afasta os bons."

Na lousa que segura nas mãos exibe o seu lema de vida: multiplicar a felicidade, dividindo-a. É assim desde sempre. Ângelo Valente, de 34 anos, nasceu com lábio leporino e fenda do palato, uma má formação que o obrigou a ser submetido a mais de 20 intervenções cirúrgicas até aos 19 anos. Por ser diferente, sofreu bullying e ainda hoje passa por episódios difíceis, mas aprendeu a aceitar-se exatamente como é. É um distribuidor de alegria. Era assim na escola, nos hospitais por onde passou e é assim agora junto dos idosos com os quais trabalha. "De certa forma, a minha postura sempre foi diferente, quer pela espontaneidade, quer pela alegria, quer pela preocupação em tornar o ambiente melhor."

Há cerca de sete anos que trabalha no Centro Comunitário da Gafanha do Carmo. Tem o curso técnico-profissional de animação sociocultural e, ao lado de Sofia Nunes, gerontóloga, fez que o centro se tornasse provavelmente na instituição de apoio aos idosos mais mediática do país. Fazem vídeos com milhares de visualizações, distribuem abraços, realizam sonhos. Tornaram-se um modelo que é seguido em Portugal e lá fora. O segredo? "O amor. Esta é muito mais do que uma ideia romântica. Aqui, aceitamos as pessoas como elas são e gostamos muito delas. Quando isso acontece, elas transformam-se."

Para o país melhorar, defende que tem de valorizar aquilo que as pessoas são capazes de fazer. "Infelizmente, o trabalho em Portugal é pouco prestigiante", lamenta. Refere-se, por exemplo, à profissão do cuidador. "Trabalhamos num sítio onde as pessoas ganham o ordenado mínimo para tomar conta do outro, que devia ser algo mais reconhecido na sociedade, porque é das coisas mais prestigiantes da função humana." Vivemos numa sociedade onde "auxiliares de saúde, de geriatria e enfermeiros vivem em condições salariais mínimas", mas não se refere apenas às remunerações. "Antes de sermos mediáticos, dizíamos que trabalhávamos num lar de idosos e a reação era: "Oh, coitadinhos." Agora "toda a gente quer trabalhar aqui".

Não lhe faltam ideias para o país, mas há uma que considera essencial: "Os portugueses têm de gostar mais de si próprios." Se isso acontecer, acredita que tudo vai correr melhor. "Até já estamos a começar a fazê-lo", muito graças às vitórias no Europeu de futebol e na Eurovisão e ao turismo. "Foi preciso os turistas virem para cá e dizerem que a nossa terra é incrível para nós despertarmos para o facto de que ela é incrível." Acredita que estamos melhor desde que a troika saiu, precisamente porque as pessoas gostam mais de si mesmas, mas há um longo caminho a percorrer. "Gostava muito de ver as melhores pessoas do país nos cargos de decisão. A política é uma carreira tão agressiva que afasta os bons."

Com todas as qualidades e o potencial que o país tem, Ângelo acredita que pode muito bem transformar-se na Florida da Europa. "Temos um dos melhores climas para envelhecer: o inverno não é rigoroso e o verão também não." Por isso, sugere, é preciso trabalhar "os 800 quilómetros de costa portuguesa" para chamar os reformados estrangeiros.

É apaixonado pelo país, pelo trabalho, pelo surf, pela sua terra. "Praia da Vagueira, a melhor praia do mundo." Os olhos brilham e o sorriso rasga-se quando fala da sobrinha. É um homem de emoções. "São a nossa principal ferramenta." Todos os dias, das 09.00 às 10.00, Ângelo e Sofia ligam o computador na sala de estar e cantam com "a família" que formaram com os utentes. O resultado - os sorrisos - está à vista de todos. Mas não basta querer. Nos workshops e conferências que dão pelo país perguntam-lhes como se faz. "Não há uma regra. Não podemos dizer que devem chegar à sala e dizer "olá" com um ar feliz. Se não sentires, não vale a pena fazeres isto noutro sítio."

Quem entra no Centro percebe, desde logo, que aquele é um sítio bom para envelhecer. Mas será assim no resto do país? "Moro num sítio onde em cinco minutos estou num hospital, mas já trabalhei num sítio onde demorava duas horas a chegar e onde esse hospital foi fechado. Vi velhinhos que morreram por causa disso", conta. Por isso, "gostava que as oportunidades fossem iguais para todos".

Recentemente, Ângelo visitou um lar em Oiã que acolheu uma família de refugiados. "A integração daquelas pessoas foi super inspiradora". Erradamente, lamenta, a sociedade associa "energias muito negativas aos refugiados", sem se lembrar de que "fugiram de coisas muito mais terríveis do que aquelas que levaram uma parte da população de Portugal a fugir".

Há cerca de um mês, Ângelo tornou-se, a título voluntário, responsável pela comunicação do Beira-Mar. É um "comunicador nato", mas diz que não corresponde aos "padrões de comunicação". Quando o mediatismo começou, chegou a ser afastado de entrevistas televisivas "por não falar bem" e, mais recentemente, foi legendado num programa. "É como teres uma bola à tua volta: tu és diferente." Portugal não será "dos piores países do mundo a lidar com a diferença", mas "os padrões ainda estão muito marcados".

10º ANIVERSÁRIO



A colaboradora brasileira Gisele Cláudya, sempre atenta, recorda que hoje este Blog completa 10 anos de existência. 

Estamos todos de parabéns, os colaboradores, os comentadores e todos os visitantes. E, principalmente, a colaboradora/administradora Fernanda Maria, pelo cuidado de, ao mudar a estação do ano, nunca deixa de mudar o aspecto decorativo apresentando imagens adequadas à estação que se inicia. 

Desejo uma boa continuação do serviço prestado por esta página, para facilitar o envelhecimento dos menos jovens para que apresentem sempre o aspecto de juventude. Os anos contam sempre mas devemos saber envelhecer, isto é, continuar a aprender, estando abertos ao mundo, com curiosidade e entendimento. 

PARABÉNS A TODOS OS AMIGOS.